
Por Jaldene Nunes
Reportagem do Fantástico, exibida ontem, 13, na TV Globo, mostrou vídeos e áudios dos bastidores da quadrilha que manipulava resultados de jogos de futebol, descoberta a partir de denúncia do então presidente do Goianésia Esporte Clube e, hoje, presidente do Conselho, Marco Antônio Maia.
O dirigente apareceu com sonora dividida em três partes, de entrevista concedida ao repórter investigativo da revista eletrônica dominical, Maurício Ferraz.
“A investigação começou aqui na cidade de Goianésia, no interior de Goiás. Um aliciador entrou em contato com o então presidente do Goianésia Esporte Clube, para manipular os resultados das partidas. Mas o criminoso nãofazia ideia de que o dirigente também é um delegado da Polícia Civil”, narrou o jornalista, na passagem —trecho da reportagem que corresponde à assinatura do repórter— gravada no gramado do Estádio Valdeir José de Oliveira, onde o Goianésia manda seus jogos.
“Tinha uma foto normal, de perfil normal, nunca botei uma camisa da polícia. Então, pra ele, era normal que tava conversando apenas com um dirigente esportivo”, explicou, na primeira parte de sua sonora, na reportagem, o delegado Marco Antônio Maia, que gravou com Maurício Ferraz na quinta-feira, 10, no complexo de delegacias de Goianésia.
Em seguida, o Fantástico exibiu trecho do áudio de Fábio Francisco de Oliveira, um dos presos na Operação Carta Marcada, deflagrada na semana passada pela Polícia Civil de Goiás, dirigindo-se ao cartola e delegado de polícia: “Fala, meu presidente, bom dia, meu irmão, beleza?”
“Inicialmente, a gente, eu achei que se tratava de um patrocínio e comecei a conversar com ele. E durante essa conversa, a gente viu que realmente não era nada legalizado”, disse em seguida Marco Antônio, na reportagem.
O jornalista explicou qual era a proposta para o presidente do Goianésia, relacionada ao Campeonato Goiano de 2023, enquanto Marco Antônio, hoje delegado municipal em Barro Alto, caminha dentro das instalações da 15a DRP (Delegacia Regional de Polícia), sediada em Goianésia, da qual foi o primeiro titular. A reportagem narra que a conversa não evoluiu e, meses depois, o presidente recebeu outra oferta, para que intermediasse o contato com algum presidente de outro clube, também goiano, que disputaria a Série D do Campeonato Brasileiro, uma vez que o próprio time do presidente não disputaria, na explicação do também delegado da Polícia Civil de Goiás, Eduardo Gomes Júnior, que GOIANÉSIA HOJE apurou tratar-se do titular do GAB (Grupo Antirroubo a Banco)/Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais).
“Não sabe não quem tá no sufoco aí precisando de alguém pra chegar junto, cara?”, disse Fábio Francisco de Oliveira, em outro trecho de áudio exibido na reportagem. “Eu tô com um dinheiro na mão já pra montar uma equipe. Eu tô com alguns jogadores bons mesmo, competitivos. (…). São 14 jogos, eu pretendo fazer 3 só, no máximo. E sendo bem verdadeiro como senhor, 4. O senhor não vai ser esquecido aí. Todo mês vai pingar o seu aí também”.
Em seguida, a terceira parte da sonora do delegado Marco Antônio Maia: “Ele me ofereceu assim que seria em regra 300 mil [reais] por aquele resultado programado”.
O repórter narra que o presidente do Goianésia apresentou as provas do aliciamento à polícia. E prossegue sobre as investigações, mostrando trecho de vídeo de outro investigado e mencionando a Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás, antes de anunciar a recentemente irrompida Operação Carta Marcada, precisamente na quarta-feira, 9 de abril, pela Polícia Civil de Goiás:
“Numa operação deflagrada esta semana [semana passada] pela Polícia Civil de Goiás seis pessoas foram presas, entre elas Fábio Francisco de Oliveira, Leonardo Lobo Araújo, que foi solto depois da audiência de custódia, e Cleuson de Souza Barros, ex-presidente do Crato Futebol Clube, suspeitos de manipulação de resultados, estelionato e organização criminosa”, narrou Maurício Ferraz.
NOTA
Na semana passada, depois de deflagrada a operação pela Polícia Civil de Goiás, que prendeu o interlocutor do então presidente do Goianésia, a diretoria do clube emitiu Nota Oficial, na qual manifesta seu “total repúdio a qualquer tentativa de manipulação de resultados no futebol”.
Na Nota, assinada pelo presidente do Conselho, Marco Antônio Maia, é narrado sobre a proposta recebida pelo dirigente, de R$ 500 mil, em 2023, para que o clube participasse de um esquema de manipulação de partidas no Campeonato Goiano.
“(…) por questões de transparência e imparcialidade, Marco Antônio Maia optou não conduzir pessoalmente a investigação, garantindo assim a integridade do processo”.
GOIANÉSIA HOJE



