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Obrigado, Papa Bento XVI!

Pe. Wagner Ferreira

19 de abril de 2005. Fumaça branca! Muitos acorrem à Praça de São Pedro, e
incontáveis são aqueles que voltam sua atenção à porta da Basílica
Vaticana, onde se anunciará a eleição do sucessor do Apóstolo S. Pedro. O
cardeal protodiácono anuncia: “Habemus papam”, Joseph Card. Ratzinger.
Dá-se início um pontificado de quase oito anos de Sua Santidade Bento XVI.

Além destes fatos bem conhecidos por muitos, existem na memória de várias
pessoas acontecimentos marcados pela alegria do encontro com o Santo Padre.
E é isso que eu gostaria de compartilhar: meus breves e marcantes encontros
com um homem consagrado a Deus, Joseph Ratzinger.

Minha primeira experiência ocorreu quando, durante o Grande Jubileu do ano
2000, tive a alegria de participar de uma conferência feita pelo
cardeal Ratzinger por ocasião do congresso dos catequistas e professores de
religião na Aula Paulo VI, a famosa Sala Nervi. As palavras do
cardeal Ratzinger sobre o significado da Nova Evangelização marcaram
profundamente os inícios de minha vida sacerdotal, pois eu estava morando
em Roma como estudante, antes ainda de completar um ano de padre. Naquele
período, eu era também correspondente do Sistema Canção Nova de Comunicação
em Roma, atuando na cobertura dos eventos do ano jubilar.
Para ter conhecimento desta brilhante conferência do cardeal Ratzinger,
sugiro acessar:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20001210_jubilcatechists-ratzinger_po.html

Outro momento marcante ocorreu quando me encontrei com o
cardeal Ratzinger na Praça de S. Pedro. Ele se dirigia para seu escritório
e eu o saudei: “Buona sera (boa tarde), Eminenza”. Voltando-se para mim,
após saudar-me, perguntou de onde eu era e o que fazia em Roma. Diálogo de
poucos minutos, mas marcado pela simplicidade de quem está atento a cada
pessoa que passa por seu caminho.

Já eleito sucessor de S. Pedro e bispo de Roma, o Papa Bento XVI me marcou
com o seu testemunho no encerramento do Ano Sacerdotal, em junho de 2010.
Éramos milhares de padres oriundos dos quatro cantos da Terra; ali
estávamos em comunhão com o Santo Padre para confessar nosso amor à Igreja,
Povo de Deus e Corpo Místico de Cristo. As palavras do Papa Bento XVI, a
adoração ao Santíssimo Sacramento e a grande concelebração eucarística na
Solenidade do Sagrado Coração de Jesus – tudo isso regado pelo testemunho
de S. João Maria Vianney, o Cura d’Ars –, inundaram o meu coração de
esperança, de alegria profunda por ser padre. Em um momento não pouco tenso
que a Igreja vivia, por causa dos escândalos de pedofilia de alguns de seus
ministros, o Santo Padre soube nos confirmar na fé e em nossa entrega total
à Igreja de Jesus Cristo.

O último encontro que gostaria de citar ocorreu no Palácio Apostólico no
dia seguinte ao encerramento do Ano Sacerdotal. Havia um grupo de bispos do
Brasil em visita “Ad limina apostolorum”, e tal visita compreendia, dentre
tantas atividades, um encontro de cada bispo com o Santo Padre. Por esta
ocasião, tive a graça de acompanhar o bispo da diocese mineira de Itabira –
Coronel Fabriciano, Dom Odilon Guimarães Moreira. Ao entrar no escritório
pontifício, saudei o Santo Padre e imediatamente ele me perguntou o porquê
de me chamar Wagner. Depois de algumas rápidas explicações, fui questionado
pelo Santo Padre sobre a possibilidade de ter parentes alemães. Respondi
que não. Ele, porém, insistiu: “Padre Wagner, investigue bem, pois
certamente o senhor tem raízes alemãs”. Após este diálogo tão descontraído,
mas rico de humanidade, ele me perguntou sobre minhas atividades como
sacerdote, membro da Comunidade Canção Nova e professor de teologia.

Ao partilhar estas experiências, não o faço por me sentir privilegiado, mas
para evidenciar o testemunho de um pastor que, em nome de Cristo, procurou
doar-se como servidor da vinha do Senhor, nas grandes ocasiões da vida da
Igreja, como também nas situações mais simples, mais corriqueiras, a ponto
de dar a devida atenção às pessoas que dele se aproximavam. Ao nos
aproximarmos da conclusão de seu pontificado, manifesto em nome de todos
aqueles que, como eu, puderam ter um contato pessoal com o Papa Bento XVI,
um cordial agradecimento a este Romano Pontífice cujo testemunho de fé em
Cristo Jesus não só marcará a história da Igreja Católica, como também a
história pessoal de muitas pessoas. Obrigado, Papa Bento XVI!

**Padre Wagner Ferreira da Silva** é formador geral da Comunidade Canção
Nova, diretor e professor do Instituto de Teologia Bento XVI (Diocese de
Lorena/SP) e professor da Faculdade Canção Nova em Cachoeira Paulista/SP.
É autor dos livros “As novas comunidades no contexto sociocultural
contemporâneo” e “A formação da consciência moral nas novas comunidades”,
pela Editora Canção Nova.*

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